Archive for the Breviedades Category

Cor(a)ção

Posted in Breviedades on 12 de agosto de 2010 by alexandrecopes

         Coração:

  • Ato de dar cor a uma ação;
  • Ato pulsante sobre órgão monocromático a fim de gerar cor sobre o mesmo;
  • fruto de uma ação colorante;
  • leva 45 segundos para distribuir sangue a todo corpo, bem como para espalhar sentimentos envenenados da ponta dos pés ao último fio de cabelo;
  • Bomba pulsante, destina tempo de vida, incluindo em que momento se deve chorar ou sorrir.
  • Vermelhos, muitos, mas pouco importa em que tom se encontram, visto que em sua maioria são sintéticos ou compostos por confusão acumulada;
  • Coração também é ação de dar cor a um pedaço de carne esbranquiçado ou simplesmente ação dolorosa incessantemente pulsante;
  • Bate 100 000 vezes ao dia,, assim como bombeia 7 500 litros de sentimentos;
  • Seu peso em média é de 400 gramas; equivale a uma mão fechada localizada no meio do peito sob o osso esterno, deslocado levemente para a esquerda.

C’est la vie

Posted in Breviedades on 2 de abril de 2010 by alexandrecopes

Sobre o poder

Oi, você está rico, disse o magnata a seu caseiro; o pobre homem então baixando os olhos aos sapatos de seu chefe, pergunta: posso então matar o senhor?

Sobre a destreza

O velho desviou de uma bomba atômica a ponto de salvar as cinco crianças espalhadas pelo vilarejo, tirando sua mulher que repousava sobre a cadeira da pedicura, retirando o cão de uma briga de rua, pegando um avião até a América onde a tempo viu sua cidade ser destruída.

Sobre o passado

O velho regurgitou a papinha da infância; era um saudosista em potencial.

Sobre o vilarejo

Todos sabiam de todos e ninguém sabia de nada.

Amores em 10 minutos

Posted in Breviedades on 11 de março de 2010 by alexandrecopes

Suas gengivas sangravam; e então me beijou dizendo que voltaria mais tarde. Levava consigo uma garrafa d’água quase vazia e usava o vestido de sua mãe. Percebi que me lambuzara a face de sangue e que sua visita de cinco minutos fora o bastante para entender que seus porres aos domingos ainda eram comuns e que seus abraços, os mais fortes que alguém me dera.

Pus-me a pensar que após ter se entregado às práticas de profilaxia, seus caninos me remetiam ainda mais aos de um lobo, mais que seus olhos atentos, como se fossem de coruja; e mesmo limpa me sujara. Seu sangue era branco como leite, por isso a estranhei demasiadamente e fingi não ter reparado em tal situação a fim de não a encabular. Talvez seja bruxa. Ou não.

Posted in Breviedades on 25 de janeiro de 2010 by alexandrecopes

Sofria de uma enfermidade reticular; nos olhos, uma crosta densa e ressecada. Um dia notou-se uma exaustão constante no indivíduo; uma espécie de depressão o tomou havia anos e gradativamente impregnava de forma violenta seu frágil corpo; vivia estirado, como que enfeitiçado por uma espécie de cansaço crônico apenas exorcizado em dias de banho. Em determinado instante notou-se que dormia profundamente sobre um degrau, reparando que mesmo assim seus olhos estavam entreabertos. Então compreendeu-se que por aquela crosta densa e ressecada ele deixara de sonhar desde que seu dono completara 14 anos.