Penicilina



É muito possível que no meio disso tudo, haja uma sensação de querer ser o que no entanto não se pode; há três meses que abriga um quarto de hospital e por isso decidiu virar cigana a fim de testar o futuro. Punha as cartas ao marido enfermo e ele sobre o leito apenas esperava que de vez por todas soubesse ler o baralho. Os meses eram longos, ainda não havia uma resposta definitiva para que o homem voltasse à sua casa; estava longe de sua cidade em uma clínica cercada por fartas árvores, assim como um pequeno riacho ao lado esquerdo de quem adentrava os portões e por pequenos casebres dispostos ao redor do terreno úmido. Tudo por lá era imensamente silencioso. Ele queria ser menos fraco do que pôde, ela simplesmente foi mais forte do que imaginava. Ao partirem, a cigana chorou, as enfermeiras desabaram, o cão vagabundo faleceu. Todos levariam em suas carteiras fotos que fizeram escondidos do simpático casal. Eles retornaram à abandonada casa. O carro de distanciava do hospital enquanto o homem apertava a mão de sua mulher no exato momento em que uma das enfermeiras abria as janelas do quarto derramando uma lágrima sobre o carpete verde. O quarto cheirava a lembranças.

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Uma resposta to “Penicilina”

  1. Solange Copês Says:

    Nós nos enxergamos naquela descrição. Lindo,maravilhoso e real!

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