Arquivo para dezembro, 2009

O VÍCIO DO MEU GNOMO

Posted in NINHO DE CORVO on 18 de dezembro de 2009 by alexandrecopes

Uma festa, o ano que chega ao fim; e uma festa sempre é ver todos os que te cercam desejando amor, lhe preenchendo de abraços, mais os comerciais na TV falando o quanto o país cresceu, o quanto 2010 será maravilhoso, quão importante será essa nova década que está por vir. Mas tudo isso me assusta. Me assusta a velocidade do tempo e essa sensação de que fiz muito e não fiz nada, de que “parece que foi ontem” enquanto foi há tanto tempo… E me perguntam sempre: como foi esse ano pra ti? E respondo, foi bom, digo, não sei…breve? Pode ser que tenha sido breve, e talvez por isso tenho sido bom, por isso eu tenha me perdido entre tudo o que venho fazendo, tentando ser artista, tentando conciliar minha “visão” na tentativa de vislumbrar uma idéia, de concretizar meus pensamentos, de buscar respostas para o que seria o amor ou como estarei no futuro; mas tudo isso é tão estranho e dolorido e cansativo; assim como nas páginas da Bíblia – que um dia tentei entender o que dizia-, mas cansei à primeira leitura, tal quantidade de “e” e falta de pausa. Exemplifico: “…Conheço o teu trabalho, e as tuas obras e a tua paciência…” Definitivamente esse exarcebo de “es” me cansa e aliás, por falar em meu trabalho, talvez eu não o conheça, talvez desconheça minhas obras e minha paciência que conforme chega o fim de ano, se dá cada vez menor, levando-me muitas vezes a ser estúpido com aqueles que me perguntam, por exemplo, quando me vêem sentado fumando um cigarro: Tu fuma?…. E eu gentilmente respondo: Não! Eu tenho um hábito se ascender cigarro pra ver o meu gnomo fumar… Sério, eu explodo. Juro que explodo e me pergunto sempre, será que eu conheço meu trabalho, minhas obras e acima de tudo minha paciência, e acima de tudo minha inteligência, e acima de tudo meus desejos, e acima de tudo minha fé, e acima de tudo, porque eu escolhi o Apocalipse pra falar de meu cansaço? Porque talvez minhas idéias estejam liquidificas ou talvez esteja pensando no Natal ou talvez realmente esteja preocupado com o fim do mundo…2012, disseram os maias; mas esclareço, eu nunca li a Bíblia, nem mesmo o Apocalipse, porém creio piamente no vício do meu gnomo.

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INSUPORTÁVEL ENGANO

Posted in daydream on 18 de dezembro de 2009 by alexandrecopes

A luz pôs-se azul-enegrecida e o vento mergulhou em minha testa. Os pôsteres de meus clássicos se desprenderam. A chuva parecia chegado. As roupas estavam no varal e eu pouco me importei. Tudo girava. Desmaiei. A chuva alagou meu sono que até então parecia sempiterno. Acordei, alcoolizado. E tudo parecia ter ocorrido havia tanto tempo, mas o relógio estático estava. A chuva estava por vir. A vizinha gritou meu nome, mas fiz-me de desconhecido e ignorei sua patética atenção às minhas bagunças na varanda e pulei da cama em direção ao banheiro. Na parede, minha sombra projetada em forma cadavérica.

As calças rasgadas, camisa ultrapassada, geladeira vazia, estômago dolorido, varanda maltrapilha e a vizinha a fumar em sua sacada alaranjada. Corri entre as cadeiras da cozinha. O telefone aos berros se comunicava comigo. Era tarde. Era engano mesmo assim. Fiz-me de desconhecido e ignorei seus gemidos repetitivos.

A campainha foi apertada e desci as escadas, como quem foge de um dragão em labaredas. Era engano. Perguntavam sobre o homem que morava no fim da rua. Era eu, mas fiz-me de desentendido e ignorei a voz que tagarelava, empurrando-me papéis sobre os olhos, dizendo haver uma entrega. Assinei. Só poderia ser engano. Subi novamente. Duas horas após o chamado, resolvi abrir a porta. Já estava deitado novamente, mas senti um desejo absolutamente infantil de saber o que se encontrava naquela caixa que o entregador havia deixado nas escadarias. Como uma criança tomada por um sentimento de vasculhar velhas gavetas à procura de porcarias insignificantes as quais possuem importante significado para elas, resolvi descer novamente.

Verazmente a recolhi, amassada e cheirando a papel, o que me enjoou novamente. Deposite-a sobre minha cama e desprendi as etiquetas uma por uma. Dentro dela, uma pequena caixa de madeira. Abri. E nela um bilhete. Abri. E nele escrito: Acorde!

A chuva por sua vez, molhava o quarto. A vizinha gritava, o telefone e a campainha por engano também…Chuva, rua, vizinha, vento, caixa, bilhete.

E os olhos se afastaram de sua varanda, de sua rua, cruzando entre as árvores, entre os bueiros, entre as vitrinas, rapidamente entre as multidões, velozmente entre as conversas, as frestas, as portas, as salas, as famílias, o abismo, o vácuo e então ele acordou, vomitando, lavando o vaso de sentimentos. Tudo devido a um grande engano.

Brillo Box Project

Posted in NINHO DE CORVO on 3 de dezembro de 2009 by alexandrecopes

 

O projeto Brillo Box surgiu embasado no genial feito de Andy Warhol, levar à categoria de arte, o que foi apreendido e consumido pela cultura de massa; mas claro, falo de maneira muito breve o que foi a pop art, porém simplesmente introduzo tal ponto a fim de esclarecer o que é o projeto Brillo Box, que ao contrário da pop, devolve à cultura de massa o que já foi cunhado como sendo artístico, entregando novamente a esses objetos o caráter banal que um dia lhes pertenceu. Ao escolher Brillo Box, a famosa caixa de sabão by Warhol, propusemos a seguinte questão e também indagação: como a devolveremos à massa, ao espaço urbano? Onde as aplicaremos? E então eis que presenciando a poluição não só visual do centro de Porto Alegre, resolvemos limpar alguns dos lugares mais sujos com o sabão Brillo – mesmo que parecendo contraditório, pois estamos interferindo de forma a “sujar” o espaço – aplicando adesivos das caixas mais especificamente em um dos pontos de referência da capital; e dessa forma, usufruimos tal ponto a fim de não apenas “limpar” o que poluído estava, mas também de “entregar” o banal que a pop se apropriou e transformou em arte, de forma com que tais objetos se mesclem ao cotidiano e percam parte desse valor, fazendo com que despercebidos passem como sendo mais uma imagem a tantas outras aplicadas por a cidade. Além disso uma série de adesivos da famosa Campbell’s soup, ganhou lugar às pequenas tendas  até as prateleira de amigos, enfatizando o que também foi proposto através da intervenção da Brillo Box, porém apenas focando a questão de fazer com que tal objeto “perca parte” de seu papel artístico enquanto o devolvemos ao banal…Além disso esse projeto é um teste, visto que parte do material fotográfico enquanto registro da intervenção, é de autoria de pessoas que receberam os adesivos para que as mesmas fizessem sua intervenção e mandassem as fotos para serem postadas em um site.

O projeto segue aberto e quem sabe os adesivos ainda estejam nos mesmos locais.

Brillo Box Project é composto por

Alexandre Copês

Laís Tissiani

Luise Malmaceda

Confere: www.flickr.com/brillobox

EXTRA

Posted in NINHO DE CORVO on 3 de dezembro de 2009 by alexandrecopes

O Núcleo de Ilustração e Quadrinhos da UFRGS ganhou matéria no Jornal da Universidade referente à exposição “No universo da literatura infantil”.

Confere no link: http://www.ufrgs.br/comunicacaosocial/jornaldauniversidade/ensaio.htm