Arquivo para setembro, 2009

UM FOTÓGRAFO NA PENUMBRA

Posted in NINHO DE CORVO on 25 de setembro de 2009 by alexandrecopes
A Total Presença – Pintura, marcou o Instituto de Artes da UFRGS com obras do Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, mas de fato o que me traz a escrever não é simplesmente a dimensão dessa exposição e sim um breve comentário sobre a aula prática do professor e fotógrafo Sérgio Sakakibara que se deu hoje, dia 24, quando davam início a desmontagem da exposição. Meio ao movimento de alguns que primeiramente pareciam visitar o local e uma turma inteira que disputava lugar ao lado do professor que movimentava-se entre um canto e outro do espaço, ensinando como captar bons ângulos e cuidados técnicos que envolvem uma boa fotografia, pensava que de fato a fotografia é um dos exercícios, assim dizendo, mais árduos; não sendo apenas um click, ela não se resume simplesmente ao ato de registrar, ela traz cuidados os quais se dão antes do “clicar” e que também se dão após o mesmo; disso todos sabem, e talvez seja até mesmo de extrema estupidez se tratar sobre isso, visto que é primordial a um bom registro, mas o que me espanta é que fotografia, fazem poucos; não bastam apenas bons equipamentos, o olhar é o que difere além de demais fatores, como por exemplo, luz… Pensa, tantos são os sites, tantas as imagens, uma bomba visual a cada minuto, fotos de amigos, fotos de cachorro, fotos de tudo, mas fotografia… Essas são poucas… Daí quem sabe então uma luz, uma luz em nossos olhos, em nossas vidas, mas por favor, que não seja de flash.

TOTAL PRESENÇA - PINTURA
TOTAL PRESENÇA – PINTURA

Todos quebrados

Posted in daydream on 11 de setembro de 2009 by alexandrecopes
todos os direitos reservados.

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Correm homens, mulheres, todos perturbados, pisando sobre ladrilhos frouxos, fazendo esguichar lodo resultante da caudalosa chuva que varria a cidade, sacolas aos bueiros, tristezas aos cafés; e eu a reparar o caótico fluxo, centenas de guarda-chuvas quebrados em meio a um vai-vem das manadas que se entrelaçavam, em um vai-vem dos ponteiros que faziam a água aumentar sobre meus ombros e sapatos.

Percebo as mãos encharcadas, os ponteiros molhados e novamente centenas de guarda-chuvas quebrados; ferros tortos, panos rasgados, armações frágeis, todos molhados.

Enquanto esperava um sinal verde, um sinal de passada, noto novamente um guarda-chuva quebrado, sob ele uma desesperada fumante, desviando a brasa das goteiras do mesmo, encharcando mãos, ombros e sapatos. Vejo o sinal novamente se fechar enquanto a notava. Agora éramos dois. Dois fumantes, dois molhados.

Ainda esperava um sinal de sol em meio ao nevoeiro.

A DOR DE SER GÊNIO

Posted in NINHO DE CORVO on 8 de setembro de 2009 by alexandrecopes

O processo criativo de um artista, na verdade, não se dá apenas sobre o objeto final, visto muitas vezes como sendo fruto da genialidade… Ao contrário, o artista pensa e calcula imensamente as possibilidade anteriores à pincelada que traduzirá o arquitetado. Logo, esse modo de pensar sobre o artista, é resultado da errônea qualificação do mesmo como sendo “gênio”, fruto do inatismo… Daí, vem a ignorância, que é refletida à percepção da contemporaneidade artística como sendo inteligível, fruto também do “ver” que nos é concedido desde os primórdios, o de encarar o artista como sinônimo de perfeição renascentista…

Porém entenda, é no fazer que se encontram as constantes transformações sobre a forma de se produzir, o artista é fruto do subseqüente ato de se produzir, do experimentalismo, o que se dá através da práxis, logo resultando no domínio de sua lingüística visual.

O fruto de uma absorção do perceber, do contínuo criar e criar e errar e concertar infinitamente enquanto mero mortal, é o que “define” o artista enquanto “gênio“, logo esse termo deixa de existir…

Bom, se bem que eu não digo isso a ninguém, digo a mim mesmo que não durmo há dias pensando em como ser “gênio” é difícil….

Mordisco

Posted in daydream on 7 de setembro de 2009 by alexandrecopes
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Decidimos entrar, digo, menos eu, que esperei à porteira, onde o vento me fez esquecer, onde os meus lábios se cortaram mais do que estavam, onde pensei estar em casa novamente. Tentei mordiscar as nuvens sob um pé de uma imponente árvore, logo vi que os sonhos são parcialmente possíveis. Já era hora de voltar.

Um sinal de diferença

Posted in daydream on 7 de setembro de 2009 by alexandrecopes
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Por um minuto, sinto que nada mudou, mas enquanto caminho entre uma ruela e ascendo um cigarro, penso que nada parece ser exatamente como é. Percebo em cada gesticulação que por aí se encontra, em corpos diferentes e rostos desiguais um sinal de diferença ao mesmo tempo tão igual a tudo que já encontrei.

Ode às ventanias

Posted in daydream on 7 de setembro de 2009 by alexandrecopes
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Quando não mais que simplesmente se pede em silêncio o desejo de morte e se escava bruscamente não mais que um túmulo em imaginária sã consciência, se almeja logo o desejo de cruel fim. Profundamente obscuro, mais do que o mais profundo de todos os túmulos… Ah, implora-se às estrelas que se afastem à maior de todas as tempestades, para que se cessem os sorrisos e as falsas farturas de amor que unificam a todos os que festejam à sala as glórias passadas.

O homem não pode mais se permitir ao sorriso amarelo-falso. O corvo negro furta-cores desejou a maldade e não apenas sorriu enquanto em silêncio a desejou, escavou brutalmente a cova mais profunda, cantarolando às ventanias, e temeu apenas ser um, um apenas ao nada.

Do silêncio às risadas fartas, deu-se a náusea e não controlando-se voou ao telhado mais distante, espiando, o que de perto mantinha-se velozmente distante; chorou aos golfos do mais triste de todos os cantos… Imaginária sã consicência… As tardes de agosto nunca mais foram as mesmas.